Tenho tantos motivos para não acreditar na justiça dos homens, que nem sei por onde começar a enumerá-los. Mas, posso dizer que um dos motivos que deu início ao fortalecimento dessa minha descrença ocorreu em 1991, quando fui demitida grávida do Jornal A Notícia, e só fui indenizada quando meu filho já estava completando oito anos de idade. E mais: depois de tanto tempo, recebi somente o equivalente ao tempo restante da minha gestação e os cinco meses de estabilidade, previstos na Constituição Federal. Mais nada!
E os meses que sofri e, mesmo sem querer, fiz meu filho sofrer pela angústia que passei por não ter um emprego e não ter como conseguir um, pois ninguém, em sã consciência, contrataria uma mulher grávida? Como dar a ele o mínimo que merecia como criança, como ser humano - roupa, comida, educação, um plano de saúde - sem emprego? Meu marido vivia, na época, de free-lancer, o que não dá muita estabilidade e confiança em termos de sustento de uma família. E eu desempregada... Sem emprego, não tinha perspectivas de futuro.
E os problemas emocionais que me levaram a uma cesariana às pressas, pois meu filho corria risco de morte, caso não fosse feito o parto com urgência - durante o trabalho de parto, que levou mais de 30 horas, ele chegou a ter 172 batimentos cardíacos por minuto, enquanto o normal, segundo o médico, deveria ser 160, durante a contração?
E o leite que tive que secar, também decorrente dos problemas emocionais pelos quais passei? Quando me dei conta, estava com meus peitos - cheios de leite - enfaixados pelo médico e tomando anticoncepcional para garantir que o leite secasse, pois corria sério risco de ter mastite, caso continuasse amamentando meu filho?
E os primeiros anos de vida do meu filho, que não pude curtir ao lado dele, pois tive que trabalhar dez horas por dia: quando saía de casa ele estava dormindo e quando meu marido ía me buscar, ele dormia no carro, antes mesmo de me ver?
E a nossa saúde emocional?
E o tempo de trabalho para contar para a minha aposentadoria?
Nada disso foi indenizado.
Tá certo que dinheiro nenhum no mundo paga tudo isso, com exceção da aposentadoria. Mas, ajudaria em muitas coisas, como por exemplo, dar uma vida melhor emocional e financeiramente para o meu filho. E fazer com que "patrões" mal intensionados pensem duas vezes antes de cometerem essa atrocidade novamente.
O grande problema nisso tudo é que eu não tinha o suficiente para "pagar" um juiz. Por outro lado, mesmo que tivesse, meus princípios morais não permitiriam que eu fizesse isso. Ao contrário dessa gente sem escrúpulos, que "brinca" com a vida das pessoas e compra o que pode, porque tem dinheiro, sem pensar no prejuízo do outro, seja emocional ou material. Até pessoas! Só não consegue comprar pensamentos, amor e felicidade. Porém...
Pois é, não é de hoje que juízes são comprados facilmente, por qualquer motivo e a qualquer preço.
Mas, uma coisa é certa: não é preciso diploma para se vender!
Continuo em nova postagem. Isso é só o começo!
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Quem crê na justiça?
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